sábado, 30 de maio de 2009

Se possível depois do banho.


Depois de quase postar um texto decidi apagar tudo e começar novamente. Sim, porque estava me desviando do assunto central deste blog ( se é que ele tem algum) . Cotidianamente eu,tu, ele, nós, vós, eles, leem . Assim que abrimos os olhos somos quase estuprados por uma série de informações insignificantes ou não que nos ditam direções e regras a serem seguidas. Quando entramos no chuveiro temos de verificar se a água está quente ou fria, inverno ou se alguém colocou o chuveiro na posição verão. Depois lemos os rótulos dos shampoos e sabonetes com ou sem glicerina. Aí nosdeparamoscom os rótulos dos desodorantes, pomadas, cremes, e perfumes. Temos que conferir a agenda e ver que em que dia estamos. Quando finalmente conseguimos sair de casa nos deparamos com um mundo cheio de visuais maravilhosos criados para nos atrair a atenção ou mesmo anúncios de cartomantes russas que cobram por hora.
Nos ônibus, mensagens auditivas nos lembram de sermos pessoas melhores e mais educadas, nos mobiliários urbanos mensagens nos recordam que temos de ser caridosos enquanto em outdoor's outras subliminaridades nos lembram que precisamos comprar o presente do namorado(a) ou que devemos ser mais bonitos, sofisticados ou ter mais coisas para sentirmos falta de outras MAIS.
E nessa altura do campeonato nossa noção de leitura se perdeu completamente. Passamos o dia forçadamente sendo obrigados a ler coisas que não fomos a procura. Passamos o dia, - e isso piora para quem vÊ televisão - passamos o dia sendo manipulados por outras pessoas e esquecemos quem realmente somos. Sim, meu amigo, nada mais vêm por acaso e nos tempos de gripe suína nada mais é seu de verdade.
Então nessa procura insana por um pouco de verdade, não uma verdade fria e absoluta. Uma verdade sua, e outra minha. Nessa procura por um pouco de essência nua e humana, é que tentamos manter o centro gravitacional do intelecto e ficar por fora disso. ficar por fora não significa ignorar. Não. Significa aceitar a existência mas manter-se à gauche dessa coisa toda. E tentar então, mesmo com todos os compromissos diários e afazeres usuais, achar um tempo pra se entregar à leitura e deixar que sua mente sozinha trace as retas e monte os cenários, e sem subliminaridades manipuladoras. Se possível depois do banho.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Limpeza de pele e base, ou um texto do Caio.


Hoje sem muita inspiração ou apenas com preguiça de pensar e escrever sobre coisas que já foram escritas ou proferidas por outras pessoas decidi postar um texto que acredito ser bem propício para o dia de hoje. Porque hoje, bom, hoje tentei ver um filme, tentei ler um livro, tentei estudar, tentei conversar, e só o que consegui foi limpar a casa, na esperança de que a limpeza trouxesse algum movimento interessante para mim. Imediatismos À parte, hoje especificamente eu fui falho em todas as tentativas de enxergar o lado bom.
E alguma coisa me deixa inquieto, me deixa arredio e pronto para responder prontamente com grosseirias a quem quer que me de bom dia! Mas eu sufoco. Eu mantenho o monstro guardado porque se ele sair pode ser perigoso até mesmo para mim. E nesses dias cinzentos de caos urbano eu me isolo. Me isolo de mim mesmo pretendendo fingir ser outro ou que minha presença seja ignorada por mim mesmo. Mas nunca isso é possivel. Sinto falta do irrecuperável, sinto falta do irrefútável. Eu sinto falta de mim mesmo ou... de um pedaço de mim que deixei partir e não me quer mais.

Não há limpeza de pele que resista às influências internas do organismo. E nesse caos urbano, tudo que se deseja é uma pele sem poros aparentes, sem espinhas ou manchas causadas pela exposição excessiva ao sol. VocÊ pode limpar sua casa, jogar fora o lixo que transborda, deixaro chão brilhando e o ambiente cheiroso. Mas por dentro continua tudo igual. Então sorriso no rosto e um ar agradávél, afinal de contas ninguém tem nada a ver com seus problemas babe.

Bom...é isso.



O dia em que Júpiter encontrou Saturno

- Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
- Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
- Vou te escrever carta e não mandar.
- Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
- Vou ver Saturno e me lembrar de você.
- Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
- O tempo não existe.
- O tempo existe, sim, e devora.
- Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?
- Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
- E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.
(Silêncio)

Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Deixei de ter medo das horas...

Eu tenho medo do Tempo. Esse grande vilão que engole tudo por onde passa e varre de nossas vidas as coisas mais interessantes, mais importantes. Sempre substituindo por outras novas.
Eu desejaria não me flagrar cozinhando para companhia de mim mesmo uma receita de molho branco que aprendi contigo. Ou lembrando das coisas que e conceitos que discutíamos. Eu prometi que não choraria e prometi que não sentiria medo ou frio. E estou me saindo muito bem, Estou me saindo maravilhosamente bem.
Deixei de ter medo do tempo. Deixei de ter medo das horas. Deixei de ter medo ds faltas.
Aprende-se muito cedo que o medo nos afasta do perigo, não sei se desejo me afastar do perigo. Na verdade quero me jogar de corpo inteiro, desejo ser consumido pelas chamas do infferno. Porque quanto mais trade vc fica, mais velha fica a possibilidade de voltar atrás.
Trágico talvez, bom eu sou trágico mesmo... De tudo, creio ter ficado um desejo incrível de ser feliz. Um desejo único e meu de ser feliz e isso pode parece bem piegass, talvez seja. Mas é um desejo que se estabelece dia-a-dia. Continuo o mesmo.
Continuo o mesmo e me pego sorrindo feliz sem saber o motivo. Acho que isso deve ser o resultado de viver, de encarar as horas seja lá como forem. Fazia tempo que não dedicava tanto tempo para mim. Fazia tempo que não me divertia sozinho. Não importanta quantas horas sejam necessárias para terminar uma tarefa, ela tem que ser terminada.
Hoje, consigo estabelecer uma ordem para minha vida, consigo estabelecer uma rotina, satisfatória que me faz ter o controle sobre meus atos. E se eu perco a cabeça, e se eu me atiro nos corpos é porque desejo. É porque nada me prende. E olha que talvez eu gostaria de estar preso.